Bolsonaro depõe à Polícia Civil: ex-presidente nega intenção de descumprir a lei em caso da arma apreendida
Atualizado em 24/06/2026 às 14:17
Fachada da Polícia Civil do Distrito Federal, em Brasília, referência institucional nas investigações conduzidas pela corporação. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal sobre a apreensão de uma pistola registrada em seu nome, encontrada com um de seus seguranças durante uma blitz em Taguatinga. A defesa afirma que o episódio não tem relevância penal e que não houve tentativa de burlar determinações judiciais.
Depoimento ocorreu na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar
A oitiva foi realizada na casa do ex-presidente, onde ele cumpre prisão domiciliar temporária desde março. O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou o depoimento e afirmou que Bolsonaro apenas pediu ajuda ao militar para consertar a arma, que estaria com pane.
Segundo a defesa, o ex-presidente já havia enviado esclarecimentos por escrito ao ministro Alexandre de Moraes na semana passada, e o depoimento apenas reforçou as informações prestadas anteriormente.
Defesa diz que caso é “acromático” e pede arquivamento
Em publicação nas redes sociais, Bueno classificou o episódio como “criminalmente acromático”, termo usado para indicar ausência de relevância penal. Ele reiterou que a pistola Glock 9mm é registrada em nome de Bolsonaro e que não houve determinação judicial para cancelamento do registro.
A defesa sustenta que, por estar regularizada, a arma deveria permanecer no endereço do ex-presidente, e que o militar apenas a transportava para reparo. O advogado afirmou esperar que o inquérito seja arquivado em breve.
O caso, porém, segue sob análise da Polícia Civil do DF, que investiga as circunstâncias da apreensão e o motivo do transporte do armamento às vésperas do fim do prazo da prisão domiciliar humanitária.
Blitz em Taguatinga deu origem ao inquérito
A apreensão ocorreu em 15 de junho, quando um veículo foi parado em um ponto de bloqueio em Taguatinga. Dentro do carro, policiais encontraram a pistola e um carregador sobressalente.
O motorista afirmou que recebeu a arma porque ela havia apresentado falha mecânica. Ele foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, o que levou à abertura do inquérito.
Moraes questiona momento do reparo e avalia manutenção da prisão domiciliar
Ao intimar a defesa, o ministro Alexandre de Moraes questionou por que o pedido de reparo ocorreu justamente no fim do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária. O magistrado deve decidir nesta quinta-feira (25) se a medida será prorrogada.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que apura a trama golpista e cumpre prisão domiciliar desde 27 de março. A decisão sobre a continuidade do regime é aguardada com expectativa por aliados e opositores.
| Elemento do Caso | Informação | Observação |
|---|---|---|
| Data da apreensão | 15 de junho | Blitz em Taguatinga |
| Modelo da arma | Glock 9mm | Registrada em nome de Bolsonaro |
| Situação do motorista | Conduzido à delegacia | Afirmou que arma estava com pane |
| Depoimento de Bolsonaro | Prestado em casa | Durante prisão domiciliar |
| Decisão pendente | Manutenção da domiciliar | Moraes decide dia 25 |
Leitura Nexus: o que está em jogo no caso da arma apreendida
O episódio da pistola apreendida vai além da questão administrativa do registro. Ele ocorre em um momento sensível para Bolsonaro, que aguarda decisão sobre a continuidade da prisão domiciliar. Qualquer movimentação envolvendo armamento naturalmente acende alertas no Judiciário.
A defesa tenta enquadrar o caso como um simples reparo técnico, enquanto Moraes avalia se houve descumprimento indireto de condições impostas. O desfecho pode influenciar o ambiente político e jurídico em torno do ex-presidente.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus